dezembro 30, 2008

Um Natal repleto de Mirós



Foi, de facto, um Natal repleto de Mirós.
Passado, pela primeira vez, na aldeia, ao cheiro dos fogões a lenha e das lareiras, na casa onde, durante dezenas e dezenas de anos, a minha família materna comemorou o nascimento de Jesus.
Todos temos a nossa aldeia. Embora lá não tenhamos nascido, lá nasceram os nossos pais, ou os nossos avós, ou outros que lhes antecederam.
E é sempre um lugar especial.
É a nossa aldeia.
A minha aldeia preparou-se adequadamente para receber o Natal. Vestiu as janelas de luzinhas mágicas, enfeitou as árvores dos caminhos, com bolas e enfeites de luz e de cor, nas portas colocou anjos e coroas, iguais aos que se colocam nas cidades, mas bem mais simples e, por isso, bem mais bonitos. Por todo lado se viam Pais Natal meio toscos, misturados com dragões de louça azul, do FCP.
De todas as casas sentia-se o cheiro do bacalhau a cozer e adivinhava-se o amontoado das cascas de batatas colocadas de parte, para o Natal do porco.
Como é sempre bonito o Natal na nossa aldeia?
Foi, de facto, um Natal bonito.
Seguiu-se a Missa do Galo que também foi uma estreia, para mim.
O colorido da igreja, os cheiros a incenso, o Nascimento, o beijar o Menino.
Os cânticos, o orgão a tocar, as orações e uma vontade enorme de eternizar nas nossas vidas a verdadeira mensagem de Natal, vivida naquele momento.
Mais tarde a visita ao Circo! Ao circo ambulante, que anda de terra em terra, carregando os artistas, onde todos fazem parte do cenário, da família, do espectáculo. Desde o dono do circo, o trapezista, até à avestruz e ao hipopótamo.
Ao circo onde as vedetas se vestem com roupas de cartolina e se maquilham como os desenhos das crianças, nos infantários.
Onde o vendedor da pipoca ao intervalo é o palhaço do número seguinte.
Onde a rede de protecção dos acrobatas tem remendos perigosos, prestes a darem de si, e as bailarinas têm foguetes nas meias e a barriga saliente.
Para mim, o Circo mais bonito de todos! O verdadeiro circo!
Para terminar estes Mirós do meu Natal, só mesmo ALA (António Lobo Antunes), no Clube Literário do Porto, no passado dia 27, para receber o prémio, com o mesmo nome.
Uma verdadeira delícia ouvi-lo, num sábado à noite de chuva e frio, em plena cidade do Porto, ali bem juntinho ao Rio Douro.
O meu Natal foi, de facto, um Natal repleto de Mirós.
A todos os Mirós que o povoaram o meu muito obrigada!

3 comentários:

Anónimo disse...

Analisando os Mirós dos "Very Amazing People" ou da Vera Alves Pereira ou os Mirós da VAP, e sendo Miró sinónimo de "Amazing Thing", desejo-te um "Amazing good new year", repleto de extraordinários Mirós povoado como dizes dos "Amazing friends" e Mirós dos mesmos.

Beijos

ATA

direitinho disse...

Bom dia Amigo
Para nós o Natal vai perdendo essa beleza exterior.
Já vamos pedindo silêncio para ouvir os gritos inocentes de quantos sem pão sem abrigo sem amor. Como há dois mil anos continuamos a fechar a porta aqueles que nem sabem o significado da palavra Natal.

Porém o Natal como descreveu e também como nós o passámos aqui em casa foi bom, juntos com a família e ao calor da fogueira.

Bom Ano 2009 para todos

Vap disse...

Amazing new year for you too, Ata!

O Natal nunca poderá perder a beleza exterior.
Quando isso acontece, deixa de ser Natal.

Um Bom ano para os dois.