Diz-me a experiência profissional e a estatística do meu escritório e de escritórios limítrofes (outros Colegas), de que um homem dificilmente tem a iniciativa ou o propósito de se divorciar.
Foram poucos os divórcios que dei entrada, em Tribunal, em que o autor era o marido.
Na verdade e apesar de muitas das vezes serem os maridos que dão causa ao divórcio, o certo é que, mesmo nesses casos, eles preferem manter o casamento.
E, mesmo quando o marido partilha os seus deveres conjugais com mulher que não a sua, o que, de resto, acaba por ser frequente, também neste caso a estatística se mantem inalterada.
A excepção só se coloca quando a mulher, que não a sua, pretende ser efectivamente sua e ele a isso se não opõe.
Neste caso, o homem é capaz de tomar a iniciativa já que, por detrás dele alguém terá para lhe dar as devidas coordenadas e decidir do seu propósito.
Foi o que aconteceu com um caso que tratei há uns tempos.
Um casamento de vários anos, filhos em comum, casa própria, dois carros, dois empregos.
Duas vidas que deixaram adormecer os sonhos e tornaram o casal moribundo.
Até o dia em que apareceu a Outra!
A Outra, reunida com todos os apetrechos adequados para o efeito.
E lá se foram o sossego e o aconchego mórbido do lar!
A Mulher perdeu espaço! A Outra ocupou-o deliberadamente.
O divórcio, ao fim de alguma luta e resistência, acabou por ser decretado.
Pouco tempo decorrido e quando se apresentou no meu escritório para regularizar o pagamento dos honorários, quis saber da felicidade do "audaz"!
A sorte do marido que tivera a "coragem" de intentar o divórcio!
Afinal, não fora grande coisa. Tivera azar.
É que, segundo ele, "saiu de um buraco e meteu-se num poço"! A Outra era terrível!
E o pior era que a Mulher, a Mãe dos seus filhos, agora não queria saber dele para nada.
Pudera!