outubro 07, 2008

Texto de Pablo Neruda


Morre lentamente quem não viaja,
quem não lê,
quem não ouve música,
quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente quem destrói o seu amor próprio,
quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito,
repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
quem não muda de marca,
não se arrisca a vestir uma nova cor,
ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente quem evita uma paixão,
quem prefere o negro sobre o branco,
e os pontos sobre os iss em detrimento de um redemoinho de emoções,
justamente as que resgatam o brilho nos olhos,
sorrisos dos bocejos,
corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,
quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,
quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva que cai incessante

Morre lentamente quem abandona um projecto antes de iniciá-lo,
não pergunta sobre um assunto que desconhece
ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples facto de respirar.

VIVA HOJE! ARRISCA HOJE! FAÇA HOJE! NÃO TE DEIXES MORRER LENTAMENTE! NÃO TE ESQUEÇAS DE SER FELIZ.

Pablo Neruda

outubro 06, 2008

O Chibanga da Cova da Moura

Como te chamas? - Pergunta a professora
- "Chibanga" - responde o puto.
- "Estamos em Portugal e não há cá Chibangas, isso era lá em Angola.
A partir de hoje chamas-te Manuel" - diz a professora.
À tarde Chibanga volta a casa
- "Correu-te bem o dia Chibanga?" - pergunta a mãe.
- "Já não me chamo Chibanga, mas sim Manuel, porque agora vivo em Portugal."
- "Ah, tu tens vergonha do teu nome, da tua raça e renegas os teus pais!"
A mãe fica danada e enfia-lhe uma galheta bem aviada.
Chega o pai a casa e faz a mesma pergunta.
- "Correu-te bem o dia Chibanga?"
- "Já não me chamo Chibanga, mas sim Manuel, porque agora vivo em Portugal."
- "Ah, tu tens vergonha do teu nome, da tua raça e renegas os teus pais!"
Chibanga oferece a outra face e leva mais uma galheta.
No dia seguinte quando chega à escola, a professora reparando nas marcas dos dedos na cara do miúdo, pergunta:
- "O que é que te aconteceu Manelinho?"
- "Bem professora, ainda não era português há duas horas e fui logo agredido por dois pretos"

Le Corbusier


Le Corbusier, d.n. - 6/Outubro/1887

outubro 03, 2008

A RITA


Agosto 2008.

A propósito do dia do idoso

"Uma mulher, de 74 anos, que residia sozinha, foi encontrada morta em casa, esta segunda-feira, em Fátima. O cadáver estaria ali há 40 dias, altura em que os familiares a contactaram pela última vez. O caso chocou os vizinhos do prédio".
Esta notícia foi ontem publicada, no J.N..
A pessoa em causa terá sido encontrada morta, no dia 1 de Outubro.
Precisamente no Dia Internacional da Terceira Idade.
Quarenta dias e quarenta noites após a sua morte.
Vale a pena reflectir sobre isto!

outubro 02, 2008

A crise americana

"O seu Zé tem um bar, na Vila Carrapato, e decide que vai vender cachaça "na caderneta" aos seus leais fregueses, todos bêbados, quase todos desempregados. Porque decide vender a crédito, ele pode aumentar um pouquinho o preço da dose da branquinha (a diferença é o sobre preço que os pinguços pagam pelo crédito).

O gerente do banco do seu Zé, um ousado administrador formado em curso de emibiêi, decide que as cadernetas das dívidas do bar constituem, afinal, um ativo recebível, e começa a adiantar dinheiro ao estabelecimento, tendo o pindura dos pinguços como garantia.

Uns seis zécutivos de bancos, mais adiante, lastreiam os tais recebíveis do banco, e os transformam em CDB, CDO, CCD, UTI, OVNI, SOS ou qualquer outro acrônimo financeiro que ninguém sabe exatamente o que quer dizer.

Esses adicionais instrumentos financeiros, alavancam o mercado de capitais e conduzem a operações estruturadas de derivativos, na BM&F, cujo lastro inicial todo mundo desconhece (as tais cadernetas do seu Zé).

Esses derivativos estão sendo negociados como se fossem títulos sérios, com fortes garantias reais, nos mercados de 73 países.

Até que alguém descobre que os bêbados da Vila Carrapato não têm dinheiro para pagar as contas, e o Bar do seu Zé vai à falência. E toda a cadeia sifudeu !

Viu... é muito simples...!!!"
A Crise Americana.
Versão brasileira.

outubro 01, 2008

Lá longe, em Copacabana.

Deve estar sol em Copacabana.
As ruas devem estar repletas de gente.
As casas com os seus porteiros nas entradas.
Os botequins com as grades de cerveja servindo de assentos.
O pessoal batendo papo nas esquinas, conversinha mole, preguiçosa.
Oh...como gostaria de, neste momento, estar nesse lugar!
"Um bom lugar para só amar um só lugar...Copacabana" - Caymmi
Todos os dias, mas, especialmente, hoje!
Dia especial, lá em Leopoldo Miguéis, na casa da D. Adelaide.
PARABÉNS MADRINHA!